Fala pessoal Mu chegando por aqui, mais uma vez “again” de novo e desta vez vou comentar sobre o jogo The Mound: Omen of Cthulhu que é um terror cooperativo em primeira pessoa para até quatro jogadores, ambientado em uma selva amaldiçoada cheia de tesouros e horrores lovecraftianos.
Com sistema de loucura, percepção alterada e criaturas que distorcem a realidade, o jogo aposta em tensão, paranoia e sobrevivência em grupo.
Minha Opinião sobre o jogo The Mound: Omen of Cthulhu
Logo nos primeiros minutos, The Mound: Omen of Cthulhu chamou minha atenção por apresentar uma proposta diferente do que normalmente encontramos nos jogos de extração. Em vez de soldados modernos, armas automáticas e instalações militares, temos exploradores do século XVII atravessando florestas chilenas em busca de tesouros e tentando não enlouquecer no processo.
A história se passa em 1652 e acompanha quatro personagens que foram afastados da sociedade espanhola. Sem muitas opções, eles decidem arriscar tudo em expedições pela região de Valdivia, onde existem ruínas, cavernas, templos esquecidos e criaturas que definitivamente não deveriam estar naquele lugar.
Confesso que foi justamente essa mistura entre aventura colonial e terror cósmico que mais despertou a minha curiosidade. O jogo consegue fazer com que cada expedição pareça uma viagem para um lugar desconhecido, no qual qualquer barulho pode significar que existe alguma coisa observando você.

A Tempestad é o nosso único lugar seguro
Entre uma missão e outra, retornamos para a Tempestad, o navio que funciona como a base principal do grupo. É ali que podemos conversar com outros tripulantes, comprar recursos, escolher o personagem e decidir qual contrato será realizado em seguida.
Os quatro protagonistas possuem aparências e personalidades diferentes, mas não existem classes ou habilidades exclusivas. Na prática, todos jogam da mesma maneira. Eu gostaria que cada personagem tivesse alguma característica própria, porque isso daria mais variedade ao cooperativo e tornaria a escolha do explorador mais importante.
Antes de iniciar uma expedição, precisamos aceitar um contrato que determina a quantidade mínima de tesouros que deve ser recuperada e o número de tentativas disponíveis.
O contrato também define quais equipamentos poderão ser usados. Esse sistema ajuda a criar desafios diferentes, mas senti falta de poder montar o meu próprio arsenal. Em um jogo que valoriza tanto a preparação, ter mais liberdade para escolher armas, tochas e ferramentas faria bastante sentido.

Entrar, coletar e sair vivo
A estrutura das missões é simples: desembarcamos em uma região, exploramos os arredores, enfrentamos inimigos, coletamos tesouros e tentamos retornar ao barco com tudo o que encontramos.
Quanto mais objetos conseguimos levar de volta para a Tempestad, mais experiência e recursos recebemos. Esses ganhos podem ser utilizados para desbloquear melhorias permanentes, comprar itens e aumentar o espaço disponível no inventário.
Existem também missões ligadas à história principal, nas quais procuramos relíquias que ajudam o grupo a se aproximar da misteriosa cidade de K’n-yan.
O problema é que, no começo, o inventário é muito pequeno. Armas, alimentos, ferramentas e tesouros ocupam os mesmos espaços. Por isso, passei boa parte das expedições decidindo o que deveria carregar e o que precisava abandonar.

A carroça ajuda, mas também atrasa o ritmo
Para armazenar mais objetos, o grupo conta com uma carroça puxada por um boi. Ela funciona como uma espécie de baú móvel e pode acompanhar os jogadores por boa parte do mapa.
O problema é que a carroça só consegue atravessar caminhos mais largos. Quando entramos em cavernas, ruínas ou passagens estreitas, precisamos deixá-la para trás. Existe um instrumento que permite chamá-la para mais perto, mas isso não elimina completamente as constantes viagens de ida e volta.
No início, achei esse sistema interessante porque ele cria decisões sobre quais tesouros realmente valem o risco. Depois de algumas missões, porém, comecei a sentir que ele diminuía demais o ritmo da exploração.
Em vários momentos, eu estava mais preocupado em organizar o inventário e carregar objetos até a carroça do que em descobrir os segredos daquele lugar.

A floresta realmente parece querer matar você
O grande acerto de The Mound: Omen of Cthulhu está na maneira como o ambiente participa da experiência. A floresta não serve apenas como cenário. Ela parece observar, reagir e, em determinados momentos, atacar diretamente o jogador.
Árvores podem utilizar seus galhos como armas, sons surgem de locais aparentemente vazios e o próprio cenário começa a mudar quanto mais tempo permanecemos em uma região.
Essa sensação de que o ambiente está vivo foi uma das coisas de que mais gostei. Mesmo quando não havia nenhum inimigo por perto, eu raramente me sentia seguro.
O jogo consegue criar tensão sem precisar colocar uma criatura na frente do jogador o tempo inteiro. Às vezes, apenas o som de alguma coisa se movendo entre as plantas já era suficiente para me fazer parar e olhar ao redor.

A loucura é a verdadeira protagonista
O sistema de insanidade é, sem dúvida, a mecânica mais interessante do jogo. Conforme a mente do personagem começa a se deteriorar, passamos a enxergar e ouvir coisas que talvez não sejam reais.
Em uma expedição, um baú aparentemente comum pode revelar uma cena grotesca. Em outra, árvores podem parecer arrancar suas próprias raízes para perseguir o grupo. Companheiros desaparecem, criaturas surgem do nada e o cenário pode assumir uma aparência completamente diferente.
O que mais gostei é que nunca fica totalmente claro quando uma situação é verdadeira ou apenas uma alucinação.
Houve momentos em que ataquei alguma coisa acreditando que era um inimigo e outros em que ignorei sons pensando que eram efeitos da loucura, apenas para descobrir que havia realmente uma criatura se aproximando.
Essa dúvida constante deixa cada expedição imprevisível. O jogo não tenta apenas assustar com monstros; ele tenta fazer o jogador perder a confiança nos próprios sentidos.

O multiplayer transforma tudo em paranoia
Apesar de ser possível jogar sozinho, considero o multiplayer a melhor maneira de aproveitar The Mound: Omen of Cthulhu.
O áudio espacial faz com que as vozes dos outros jogadores fiquem mais altas ou baixas dependendo da distância. Quando alguém se afasta, sua voz começa a desaparecer gradualmente, o que aumenta bastante a sensação de isolamento.
A loucura pode utilizar esse sistema contra o grupo. Em determinados momentos, ouvimos vozes que não pertencem a nenhum companheiro ou chamados que parecem vir de alguém que está em outra parte do mapa.
Jogando com fones de ouvido, essa experiência fica ainda mais intensa. Cada galho quebrando, passo entre as folhas ou sussurro distante pode fazer o grupo mudar completamente de direção.
Para mim, é nesse ponto que o jogo realmente encontra sua identidade. Não se trata apenas de coletar tesouros e chegar ao local de extração. Também precisamos descobrir se aquilo que estamos ouvindo realmente existe.

O combate não acompanha a qualidade da atmosfera
Infelizmente, o combate está longe de ser tão interessante quanto os sistemas de exploração e insanidade.
As armas respeitam o período histórico, então mosquetes demoram bastante para recarregar. Isso obriga o jogador a escolher bem cada disparo, porque errar pode deixá-lo vulnerável por vários segundos.
Também é possível atacar inimigos pelas costas, utilizar armas brancas e até desmembrar criaturas ao atingir determinadas partes do corpo.
No papel, tudo isso parece bastante promissor. Na prática, porém, os ataques não possuem o impacto que eu esperava.
Alguns golpes parecem atravessar os inimigos, os disparos soam fracos e as criaturas nem sempre reagem de maneira convincente. Mesmo quando acertei um ataque poderoso, raramente tive aquela sensação satisfatória de peso.
O combate funciona, mas parece pouco refinado. Em um jogo no qual passamos bastante tempo enfrentando ameaças, essa falta de impacto acaba incomodando.

Jogar sozinho não oferece a mesma experiência
Quando jogamos sem outras pessoas, recebemos o auxílio de um companheiro controlado pela inteligência artificial.
Infelizmente, ele mais atrapalha do que ajuda. Durante minhas partidas, o aliado ficou preso em pedras, ignorou inimigos próximos e demorou para acompanhar o caminho que eu estava seguindo.
Em certos momentos, parecia que eu precisava cuidar dele em vez de receber ajuda.
Isso reforça a sensação de que o jogo foi desenvolvido pensando principalmente no cooperativo. O multiplayer não apenas torna as expedições mais divertidas, como também permite aproveitar melhor o áudio espacial e as alucinações.
É possível jogar sozinho, mas considero uma experiência claramente inferior.
Os problemas técnicos estão sempre por perto
The Mound: Omen of Cthulhu ainda apresenta uma quantidade considerável de problemas técnicos.
Encontrei inimigos presos no cenário, personagens atravessando objetos e situações em que a movimentação parecia imprecisa. A interface também poderia ser mais clara, principalmente no mapa, que utiliza textos pequenos e pouco confortáveis para leitura.
Nenhum desses problemas foi suficiente para destruir a minha experiência, mas eles aparecem com frequência e prejudicam a imersão.
Em determinados momentos, eu estava completamente envolvido pela atmosfera e pela tensão da floresta, apenas para ver uma criatura presa em alguma pedra logo depois.
É o tipo de jogo em que precisamos aceitar certo nível de falta de polimento para aproveitar suas melhores ideias.

Uma experiência imperfeita, mas difícil de esquecer
Mesmo com todos os problemas, terminei minhas sessões interessado em continuar explorando.
The Mound: Omen of Cthulhu não possui o combate mais refinado, a melhor inteligência artificial ou o acabamento técnico de grandes produções. Ainda assim, consegue oferecer algo que muitos jogos mais polidos não possuem: personalidade.
O sistema de insanidade realmente muda a forma como jogamos e cria situações que dificilmente aconteceriam em outros shooters de extração.
Em uma partida, o grupo pode trabalhar perfeitamente em conjunto. Na seguinte, todos começam a desconfiar de sons, movimentos e até das informações passadas pelos próprios companheiros.
Essa imprevisibilidade é o que mantém a experiência interessante.

Vale a pena jogar?
Eu recomendaria The Mound: Omen of Cthulhu principalmente para quem possui amigos interessados em experiências cooperativas de terror.
O jogo exige paciência com seus problemas técnicos e com um combate que ainda precisa de bastante refinamento. Também não acredito que seja uma boa escolha para quem pretende jogar apenas sozinho.
Por outro lado, quem gosta de exploração, gerenciamento de recursos, terror cósmico e partidas nas quais tudo pode sair do controle encontrará uma proposta bastante diferente.
Não é um jogo perfeito e certamente não vai agradar a todos. Mesmo assim, poucas experiências conseguem transformar uma simples caminhada pela floresta em algo tão desconfortável e imprevisível.
Pontos positivos
- Ambientação histórica diferente e muito bem aproveitada;
- Floresta transmite uma sensação constante de ameaça;
- Sistema de insanidade criativo e imprevisível;
- Excelente uso de áudio espacial;
- Multiplayer cooperativo gera momentos de tensão e paranoia;
- Gerenciamento de recursos cria decisões importantes;
- Possui personalidade própria dentro do gênero de extração.
Pontos negativos
- Combate sem peso e pouco satisfatório;
- Inteligência artificial dos aliados deixa muito a desejar;
- Pouca liberdade para escolher os equipamentos;
- Inventário limitado pode tornar a exploração cansativa;
- Carroça provoca muitas caminhadas repetitivas;
- Diversos problemas de colisão e movimentação;
- Experiência solo muito inferior ao multiplayer.
Considerações Finais
The Mound: Omen of Cthulhu é um jogo cheio de falhas, mas também repleto de ideias interessantes. Seu combate precisa de melhorias e os problemas técnicos aparecem com frequência, porém a atmosfera e o sistema de insanidade conseguem sustentar a experiência.
Jogando com amigos e utilizando bons fones de ouvido, tive momentos genuinamente tensos, confusos e até engraçados. Nunca sabia completamente se estava enfrentando uma ameaça real ou sendo enganado pelo próprio jogo.
Não considero uma experiência indicada para todos, mas, para quem procura um terror cooperativo diferente e aceita lidar com certa falta de polimento, essa expedição pode render histórias difíceis de esquecer.
Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela NACON.
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