Em outubro de 2022, Manafinder fez sua estreia no PC pelo estúdio Wolfsden de forma bastante tímida. Agora, no último dia 3 de abril, o título chegou aos consoles trazendo um RPG que, à primeira vista, parece seguir caminhos já conhecidos do gênero, mas que rapidamente mostra ter identidade própria.
Com ideias interessantes e uma proposta que vai além do convencional, o título guarda mais do que aparenta. Quer entender o que faz Manafinder se destacar? Vem comigo que eu te conto!

Sobre
A história acompanha a protagonista Lambda, uma guerreira(!?) desconhecida, expulsa do reino de Manahill, no mundo de Aevi — um lugar praticamente inexplorado pela humanidade, onde bestas poderosas vagam pela terra. A heroína logo encontra uma comunidade de sobreviventes exilados, que depende do poder das manastones para manter seu assentamento seguro.
É então que Lambda se torna uma buscadora de manastones, arriscando sua vida junto a uma equipe de manafinders, explorando a natureza selvagem em busca dessas pedras. Diante de ameaças externas e conflitos internos, a missão se torna cada vez mais complicada. Será que Lambda conseguirá realizar um milagre?

Gráficos, som e jogabilidade
Visualmente, Manafinder apresenta um estilo pixel art vibrante, que remete aos clássicos da era 16-bit, mas com detalhes modernos que agregam ao seu visual diferenciado. A trilha sonora é bem característica de um JRPG, enquanto a execução do som é simples e pontual.
O sistema de combate é por turnos, mas traz diferenças dinâmicas e propostas práticas que tornam as batalhas mais interessantes e variadas. A mecânica de progressão dos personagens também chama atenção, embora seja controlada pela narrativa, na qual o acesso ao grinding é condicionado ao avanço da história e à liberação de missões principais.
Infelizmente, o jogo conta apenas com tradução em inglês e duas variações de espanhol (Espanha e Latam), o que limita um pouco seu alcance junto ao público geral.
E o veredicto é…
Uma semi-jóia num mundo de JRPG’s retrô
Manafinder começa de forma misteriosa, mas com um pecado evidente: há uma fragilidade na construção da protagonista, marcada pela ausência de backstory e desenvolvimento inicial. Você se pergunta quem ela é e por que tudo aquilo está acontecendo. Em um jogo de cerca de 15 horas de duração, isso soa como uma falha simples, mas que acaba custando uma conexão mais forte do jogador com a história.
Isso me fez adotar um olhar mais crítico sobre a narrativa. Porém, surpreendentemente, o jogo se mostra competente no storytelling, entregando uma trama envolvente, com boa dramatização, tom consistente e tensões bem construídas.
Ao vivenciar o gameplay, as batalhas por turnos fogem de serem massantes. O desenvolvimento inicial da história rapidamente “arma” o jogador para o combate, oferecendo uma progressão ágil nas opções disponíveis. No que diz respeito aos equipamentos, o jogo traz uma abordagem interessante: as armas são escolhidas durante o combate, enquanto o jogador precisa apenas organizar e equipar itens de armadura e acessórios — contando ainda com a opção de otimizar automaticamente o setup.

Há itens consumíveis, orbes para uso em batalha e itens raros e comuns classificados como insumos, que servem exclusivamente para venda, garantindo uma boa fonte de renda nos pontos de comércio. Os recursos são abundantes durante a exploração, tornando raro se encontrar em situações críticas por falta de itens. Ainda assim, o jogador acaba se sentindo limitado na progressão justamente pelo sistema de grinding condicionado.
A condução linear do jogo não abre espaço para total liberdade de exploração, o que pode surpreender alguns jogadores e até passar a impressão de uma dificuldade maior. Eu mesmo morri algumas vezes até entender que, para determinado chefão, minha resistência ainda era insuficiente. Com isso, percebi que o grinding só é possível em momentos específicos, durante as missões — mas sem exigir repetição excessiva. É como se sempre faltasse um pouco mais.
No fim das contas, Manafinder tem um brilho que não o torna exatamente uma joia rara, mas que certamente pode reluzir bastante aos olhos mais atentos ao gênero.
Os amigos milheteiros e trophy hunters podem ficar tranquilos: a lista de conquistas é enxuta, majoritariamente ligada à progressão da história, com poucos troféus relacionados à coleta. É uma verdadeira “garapa premium”
Manafinder está disponível para os consoles PlayStation 4 & 5, Xbox One & Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam). Assista nosso gameplay inicial abaixo:
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