Kusan: City of Wolves é um shooter de ação com visão aérea e ritmo frenético, ambientado em uma cidade futurista dominada pela violência, corrupção e criminosos.
Na pele de Jin, um ex-soldado transformado em mercenário, enfrente inimigos em combates brutais enquanto tenta proteger uma garota ligada a uma perigosa conspiração.
Minha Opinião sobre o jogo Kusan: City of Wolves
Kusan: City of Wolves entra em um terreno complicado ao apostar em ação frenética, câmera superior, violência instantânea e fases curtas recheadas de inimigos. É impossível não lembrar de Hotline Miami, principalmente pela velocidade, pela brutalidade e pelo visual retrô.
O problema é que referências tão fortes aumentam automaticamente a expectativa. Kusan até consegue reproduzir parte daquela sensação de entrar em uma sala, eliminar vários inimigos em segundos e morrer logo depois por um único erro. Porém, falta a mesma fluidez que transforma tentativa e erro em algo viciante.
Existe uma boa ideia aqui. Ela apenas não funciona com a consistência necessária.

História
A campanha acompanha Jin, um soldado envolvido em uma situação que mistura gangues, experimentos, instituições de pesquisa e uma mulher com poderes especiais.
A abertura causa uma ótima primeira impressão. Neve, explosões, corpos espalhados pelo campo de batalha e uma apresentação agressiva estabelecem rapidamente o clima.
Depois disso, porém, a narrativa perde força.
O jogo apresenta muitos personagens, organizações e conceitos em pouco tempo. Em vez de gerar curiosidade, esse excesso frequentemente torna difícil acompanhar exatamente quem está envolvido em cada situação e por quê.
As cenas em formato de quadrinhos são visualmente excelentes, mas os diálogos são longos e nem sempre interessantes. A história tenta ser mais importante do que realmente consegue ser.
Para um jogo cuja principal atração deveria ser a ação, interromper tanto o ritmo acaba prejudicando a experiência.

Gameplay
Kusan deveria funcionar melhor quando todas as explicações acabam e o jogador finalmente pode entrar em combate.
Na teoria, o sistema parece bastante promissor.
Jin pode utilizar armas de fogo, uma faca arremessável e sua principal ferramenta de combate, chamada War Hand. A intenção é fazer o jogador alternar rapidamente entre esses recursos enquanto atravessa grupos de inimigos.
O problema está na execução.
Os movimentos possuem um peso estranho e não transmitem aquela sensação de resposta imediata necessária para um jogo desse tipo. Em vários momentos, parece que o personagem demora uma fração de segundo a mais do que deveria para acompanhar os comandos.
Essa pequena diferença se torna enorme quando praticamente qualquer golpe recebido pode representar uma morte instantânea.

Morrer faz parte…
A campanha possui 54 fases distribuídas entre diferentes capítulos. Jogadores bastante habilidosos provavelmente podem concluir tudo em cerca de seis a oito horas, mas a maioria deverá levar muito mais tempo por causa da quantidade de mortes.
Isso, por si só, não é um problema.
Kusan é claramente construído para ser difícil. O jogador entra em uma área, elimina inimigos, quebra objetos, aprende as posições das ameaças, morre e imediatamente tenta novamente.
Quando tudo funciona, esse ciclo pode ser bastante empolgante.
O problema aparece quando a derrota parece acontecer por causa dos sistemas do jogo e não por um erro do jogador.
Inimigos armados podem surgir de posições difíceis de perceber. A faca nem sempre reage como esperado e o sistema de mira automática frequentemente escolhe alvos inadequados.
Em um título baseado em reflexos e precisão, qualquer inconsistência acaba se tornando muito mais frustrante.

Fases que poderiam ser mais bem planejadas
Outro problema está na construção dos cenários.
Algumas áreas possuem inimigos chegando simultaneamente por vários lados, veículos atravessando o caminho, lasers, armadilhas e objetos que causam dano.
A quantidade de ameaças frequentemente ultrapassa o ponto em que a dificuldade parece calculada.
Em vez de estudar o ambiente e executar uma estratégia perfeita, algumas situações acabam dependendo de reação desesperada ou simplesmente de uma tentativa mais favorável.
Existe ainda um sistema de classificação que incentiva concluir as fases rapidamente e com boa execução. Porém, quando completar uma área pela primeira vez já é frustrante, existe pouca motivação para retornar imediatamente em busca de uma pontuação melhor.

Chefes trocam estratégia por confusão
As batalhas contra chefes também não conseguem melhorar muito a experiência.
Em vários confrontos, a tela fica tomada por ataques, efeitos e cores ao mesmo tempo. Identificar padrões acaba sendo mais difícil do que deveria.
O resultado são batalhas que parecem exigir resistência e improvisação em vez de aprendizado.
Isso contrasta com os melhores jogos difíceis, nos quais morrer normalmente ensina alguma coisa ao jogador.
Em Kusan, algumas derrotas deixam apenas a sensação de que algo aconteceu rápido demais para ser compreendido.

Muitas armas e um sistema estranho de melhorias
Ao longo da campanha, Jin consegue utilizar diferentes armas e melhorar alguns equipamentos.
Também existem habilidades adicionais, incluindo técnicas relacionadas à faca, que permitem ampliar as possibilidades durante os confrontos.
Para organizar essas melhorias, o jogo utiliza chips posicionados dentro de uma grade com espaço limitado.
O conceito lembra sistemas de inventário em que cada melhoria ocupa determinada quantidade de espaço. É necessário escolher cuidadosamente quais benefícios instalar ou desbloquear novas áreas da grade.
Existe certo potencial estratégico nisso. Jogadores que gostam de experimentar configurações diferentes podem passar bastante tempo ajustando suas habilidades.
Mesmo assim, o sistema parece deslocado em relação ao restante da experiência.
Em um jogo tão focado em velocidade, entrar constantemente em menus para encaixar peças em uma grade interrompe o ritmo e adiciona complexidade sem necessariamente tornar o combate melhor.

Quebra-cabeças que pouco acrescentam
Alguns capítulos também incluem pequenos quebra-cabeças.
Normalmente, eles envolvem ativar interruptores ou acertar determinados mecanismos seguindo uma ordem específica.
São desafios simples, mas não particularmente interessantes.
Eles interrompem a ação sem oferecer uma mudança suficientemente criativa de ritmo. Acabam funcionando mais como obstáculos entre uma sequência de combate e outra.

Gráficos
Se existe uma área em que Kusan dificilmente decepciona, é sua apresentação visual.
A pixel art combina perfeitamente com a violência exagerada e a perspectiva superior. Os ambientes utilizam iluminação eficiente, os inimigos possuem designs interessantes e as animações dão bastante impacto aos confrontos.
O sangue espalhado pelos cenários e os efeitos visuais reforçam aquela estética de ação retrô que o jogo claramente pretende alcançar.
As cenas narrativas em formato de quadrinhos também são excelentes do ponto de vista artístico.
Mesmo quando o texto não consegue prender a atenção, as ilustrações justificam acompanhar pelo menos parte das sequências.

Trilha sonora
O áudio talvez seja o elemento mais consistente de Kusan.
A trilha mistura música eletrônica, batidas urbanas, faixas mais tranquilas e composições experimentais.
Essa variedade funciona surpreendentemente bem.
Nos melhores momentos, música, pixel art e violência formam exatamente a experiência que o restante do jogo deveria entregar com mais frequência.
É justamente por isso que existe uma sensação constante de potencial desperdiçado. A apresentação cria expectativa para um combate espetacular, mas os controles e o design das fases nem sempre conseguem acompanhar.

Desempenho
Pelo menos em termos de funcionamento básico, Kusan apresenta uma experiência relativamente estável.
Não existem grandes problemas técnicos capazes de destruir a campanha. Pequenas situações envolvendo colisão com paredes podem acontecer, mas nada particularmente grave.
O desempenho correto, entretanto, não consegue esconder os problemas de design.
Hoje existe uma quantidade enorme de jogos independentes disputando atenção. Ser tecnicamente funcional já não basta quando existem tantas alternativas oferecendo experiências mais refinadas.

Vale a pena jogar Kusan: City of Wolves?
Kusan: City of Wolves possui elementos suficientes para mostrar que havia espaço para um ótimo jogo.
Sua direção artística é excelente, a trilha sonora impressiona e existem momentos em que atravessar uma sala eliminando inimigos rapidamente realmente funciona.
Infelizmente, esses momentos aparecem entre períodos de frustração.
Os controles poderiam ser mais responsivos, a mira precisa de melhorias, algumas fases parecem exageradamente caóticas e a dificuldade frequentemente passa de desafiadora para injusta.
Quem gosta muito de jogos difíceis, ação com câmera superior e experiências inspiradas em Hotline Miami provavelmente encontrará diversão aqui.
Para todo o restante do público, parece mais interessante esperar por uma promoção ou por futuras melhorias.

Pontos positivos
- Excelente pixel art.
- Direção visual muito bem definida.
- Cenas em estilo de histórias em quadrinhos são bonitas.
- Trilha sonora variada e de alta qualidade.
- Ótima sequência de abertura.
- Boa quantidade de armas.
- Diferentes possibilidades de melhorias.
- Sistema de equipamentos permite personalização.
- Algumas sequências de combate conseguem ser realmente empolgantes.
- Desempenho técnico geralmente estável.
Pontos negativos
- História excessivamente carregada de informações.
- Muitos personagens e conceitos pouco memoráveis.
- Cenas narrativas longas interrompem o ritmo.
- Combate parece mais pesado do que deveria.
- Faca possui resposta inconsistente.
- Sistema de mira automática é pouco confiável.
- Algumas mortes parecem injustas.
- Fases apresentam excesso de ameaças simultâneas.
- Sistema de classificação pouco incentiva novas tentativas.
- Chefes são mais confusos do que estratégicos.
- Sistema de upgrades parece deslocado.
- Quebra-cabeças acrescentam muito pouco à experiência.

Considerações Finais
Kusan: City of Wolves parece estar constantemente próximo de se transformar em um ótimo jogo, mas tropeça justamente nos elementos que deveriam sustentar toda a experiência.
Visual e áudio estão entre seus maiores méritos. Quando música, violência e pixel art entram em sintonia, existe uma identidade extremamente atraente.
O problema é que um jogo baseado em mortes instantâneas precisa transmitir precisão absoluta, e Kusan nem sempre consegue fazer isso. Controles inconsistentes, mira problemática e fases desequilibradas transformam parte do desafio em irritação.
Não é um desastre, mas também não alcança o nível necessário para se destacar em um gênero cheio de concorrentes fortes. Para fãs de experiências punitivas pode valer uma tentativa, especialmente em promoção. Para os demais, existem opções mais refinadas.
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