Lançado inicialmente para PC em dezembro de 2020, o RPG de ação metroidvania Skautfold: Moonless Knight chega hoje para PlayStation 5 & 4, Xbox One & Series X|S e Nintendo Switch pelas mãos da publisher Red Art Games e a desenvolvedora Pugware.
O título dá sequência aos eventos de Shrouded in Sanity e Usurper e vem antes de Into the Fray, num salambô tremendo pra você que joga nos consoles. Mas fica tranquilo, que numa franquia que muda à cada título, eu te deixo à par do que é encarar esse lançamento nos consoles após 6 anos. Vem comigo que eu te conto!

Sobre o jogo
Retorne ao pesadelo lovecraftiano do Império Angélico da Britânia como Gray, o 2º Cavaleiro, enviado em uma missão diplomática ao Império da Aurora do Japão. A missão dá terrivelmente errado imediatamente, quando cultistas lunáticos instigam um golpe religioso, colocando o Imperador japonês e os enviados de Eleanor em risco. Sua tarefa? Explorar o Palácio Imperial Oda, negociar com suas facções e garantir a sobrevivência do Império!

Gráficos, som e jogabilidade
O game continua apresentando a mesma identidade visual e estilo gráfico do seus antecessores. A trilha sonora é minimalista, tensa e funcional, bem focada na atmosfera dos ambientes. Ela se comporta de forma dramática, se fazendo intensa nos momentos certos sendo opressiva e desconfortável em vários desses momentos. O que brilha aqui é a execução de som que funciona até como um feedback de combate tendo sons característicos e pontuais no golpes (acertos e erros).
Para que não conhece a franquia, gameplay do jogo é uma mistura bem interessante de Metroidvania + combate técnico estilo “soulslike”, mas com ideias próprias que fogem do padrão. O combate resgata o Sistema de Guarda de Ursuper (defsa ativa), porém significativamente aprimorado. Os comandos são de execução simples e o mapa de controles é muito bom, dá para o marinheiro de 1ª viagem se acostumar rápido.
E o veredicto é…
O ápice da franquia é mais técnico e exigente
Skautfold é uma franquia indie inovadora, com forte presença no PC, e a chegada de seus títulos aos consoles soa, em princípio, como um movimento natural. No entanto, a forma como esses lançamentos foram organizados ao longo do tempo acaba gerando certa estranheza.
Estamos falando de uma série com cerca de 10 anos de existência, cujo primeiro título, Skautfold: Shrouded in Sanity, só chegou aos consoles aproximadamente quatro anos após sua estreia no PC. Com uma proposta voltada ao survival horror, menos focada em ação fluida, esse início já indicava um caminho mais nichado para a franquia.
Na sequência, Skautfold: Usurper manteve um intervalo mais curto, chegando aos consoles cerca de um ano após seu lançamento original. Curiosamente, foi nesse mesmo período que Skautfold: Moonless Knight estreava no PC, ampliando a proposta da série com uma nova abordagem de gameplay.

Já Skautfold: Into the Fray, apesar de ter sido lançado anteriormente no PC, só veio a ganhar versões para consoles anos depois, em outubro de 2024. Essa inversão na ordem dos ports contribui para uma cronologia pouco intuitiva, especialmente para o público de consoles.
Tudo isso é, ao mesmo tempo, estranho e fascinante, especialmente pela forma como cada jogo apresenta sua própria identidade e proposta de gameplay. Steve Gal faz de Skautfold: Moonless Knight uma experimentação tão genuína quanto os demais títulos da franquia, mas aqui há uma clara priorização do combate em detrimento da orientação e da clareza na exploração.
Embora o combate seja um dos grandes destaques — exigindo leitura constante dos inimigos, precisão e estratégia —, a ausência de checkpoints bem distribuídos compromete diretamente o ritmo da experiência. A punição, nesse caso, deixa de reforçar o aprendizado e passa a se traduzir em repetição, forçando o jogador a refazer trechos longos e enfrentar inimigos já derrotados, o que gera frustração desnecessária.

A história, mais uma vez, aparenta ser bastante interessante em seu conceito — especialmente ao analisarmos seus elementos isoladamente —, mas o desenvolvimento volta a pecar na acessibilidade, com ausência de tradução e dublagem em outros idiomas. Isso limita o envolvimento do jogador com a narrativa e reduz o impacto de seu universo.
Por se tratar, em grande parte, de um metroidvania, a falta de direção clara em diversos momentos e o backtracking frequente sem pistas suficientes fazem com que o jogador se sinta constantemente desorientado. Essa sensação de estar “perdido” surge rapidamente — no meu caso, em menos de uma hora de gameplay.
O mapa oferece uma noção básica de progressão e das áreas exploradas, mas falha em auxiliar de forma prática na retomada de caminhos. Ao adquirir uma nova habilidade, é comum lembrar de locais anteriormente inacessíveis, mas surge a dúvida inevitável: onde exatamente aquele caminho estava?
Skautfold: Moonless Knight chega hoje aos consoles PlayStation, Xbox e Nintendo como um título aguardado por quem acompanha a franquia, mas que talvez não se apresente da forma mais convidativa para novos jogadores. Seu combate refinado e exigente demonstra um claro amadurecimento mecânico, enquanto suas decisões estruturais — especialmente na progressão e no ritmo — pedem um nível de tolerância que nem todos estarão dispostos a oferecer logo de início.
No fim, é uma experiência que tende a dialogar melhor com quem já entende suas particularidades do que com aqueles que estão apenas começando. Assista nosso gameplay abaixo:
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