Desenvolvido pela Broccoli em parceria com a Gemdrops e publicado pela NIS America, Etrange Overlord é um RPG musical com toques de estratégia, criado por Sohei Niikawa (criador de Disgaea e Rhapsody: A Musical Adventure!) que chega para PC, PlayStations e Nintento Switch.
Embora RPG seja um gênero que se tornou popular nos últimos anos, Etrange Overlord não se mostra um título não tão acessível como se espera. Quer saber por que? Vem comigo que eu te conto!

Sobre o jogo
Etrange Overlord começa com Lady Étrange Von Roseburg, uma nobre que é condenada à guilhotina após ser acusada de armar um complô contra a família real. Ao acordar no inferno, ela decide que precisa tomar conta de todo o lugar! Lady Étrange vai usar todo seu conhecimento e poder em magia negra que fará com que algumas das entidades que vivem no inferno tomem a decisão de se submeter à nobre, fazendo com que ela comece a fazer seu nome naquele lugar.
Gráficos, som e jogabilidade
Visualmente, o jogo é bastante competente. Ele combina uma arte em estilo anime bem trabalhada com ambientações em 3D compostas por personagens em estilo chibi, cheios de personalidade — tanto aliados quanto inimigos, independentemente da escala.
Por outro lado, como um jogo musical, tanto a trilha sonora quanto os efeitos sonoros acabam sendo apenas medianos, sem grande destaque.
E isso impacta diretamente a experiência de jogabilidade. Etrange Overlord apresenta uma proposta simples: o jogador acompanha longas sequências de dramatização que misturam música, performances e momentos cômicos, muitas vezes marcados por cortes bruscos e efeitos sonoros exagerados. Apesar de funcionar em alguns momentos, esse estilo também pode soar caótico e até cansativo.
Os comandos são simples e o sistema de controle é enxuto, o que torna a experiência acessível do ponto de vista mecânico — mas limitada em profundidade.
E o veredicto é…
Nicho do Nicho do Nicho!
Jogar Etrange Overlord foi uma experiência curiosa. É um daqueles jogos que claramente têm personalidade, mas também não escondem suas limitações. Existe uma proposta criativa interessante — especialmente na forma como mistura narrativa sombria com elementos estratégicos — e, em alguns momentos, isso realmente funciona.
Em vários trechos, me peguei comparando os jogos da franquia Disgaea, embora Etrange Overlord tenha identidade própria. Ainda assim, fica a sensação de potencial desperdiçado. Ele se posiciona como um título pouco acessível, extremamente nichado, quando poderia alcançar um público muito maior dentro da comunidade de fãs de RPGs japoneses.
Particularmente, não sou fã de novels de qualquer tipo. Para mim, é um gênero arrastado, que apesar de contar boas histórias, não combina com aquilo que espero de um videogame: ação e dinamismo. O problema é que Etrange Overlord tenta equilibrar uma jogabilidade simples e ágil com uma narrativa densa e extensa — e essa mistura nem sempre funciona.

É curioso como o jogo alterna rapidamente entre batalhas caóticas e divertidas e longas sequências de dramatização. Essa transição não é fluida, e o jogo falha em introduzir seus elementos de forma natural. Há uma quebra evidente entre as missões: quando você começa a entrar no ritmo do combate, tudo é interrompido por cenas longas e carregadas de diálogo. Isso gera uma sensação constante de “engasgo”, como se o jogo puxasse o freio justamente quando você estava acelerando.
Essa estrutura também prejudica o senso de progressão. Em vez de uma evolução contínua, o ritmo se torna fragmentado: joga, para, assiste; joga novamente, para de novo. Essa repetição quebra o “flow” que jogos estratégicos normalmente precisam para se destacar.

Além disso, em diversos momentos a progressão parece travada, como se o jogo não encontrasse o equilíbrio ideal entre desafio e recompensa. Isso pode tornar algumas partes repetitivas ou até cansativas, principalmente quando o jogador já compreendeu a mecânica, mas ainda precisa insistir nela por tempo demais.
De forma geral, a campanha também parece curta. Ignorando as cutscenes, é possível concluir o jogo em menos de seis horas — ainda que com uma sensação de desgaste.
Etrange Overlord já possui uma proposta bastante específica: ritmo fragmentado, forte carga dramática e uma estrutura pouco convencional. Quando somamos isso à falta de localização para mais idiomas ocidentais, o acesso se torna ainda mais limitado. Não se trata apenas de entender o texto, mas de absorver o tom, o timing e o impacto emocional das cenas — que, neste caso, são longas e fundamentais para a experiência.
Fica a dúvida: se a Broccoli investir em atualizações com novos idiomas, será que o jogo pode encontrar um público maior no futuro?
O título está disponível hoje na Steam, PlayStation 4 & 5 e Nintendo Switch. Confira o breve gameplay:
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