Desenvolvido pelo estúdio italiano Drakkar Dev e publicado pela Blowfish Studios, Mirage 7 chega hoje ao PC e consoles apresentando uma mistura de aventura de ação em terceira pessoa com elementos de fantasia sombria e ficção científica.
Sobre o jogo
Você assume o papel de Nadira, uma jovem que viaja por desertos áridos em busca da mística Princesa Taishma, que vive no Palácio da Lua. O objetivo de Nadira é encontrar uma forma de trazer sua irmã falecida de volta à vida. A narrativa conecta o mundo de fantasia de Nadira a uma base militar subterrânea secreta e futurista, onde um misterioso “híbrido” é despertado após a queda de um drone.
Gráficos, Sons e jogabilidade
Como um título indie de médio orçamento, Mirage 7 apresenta uma identidade visual própria. No entanto, a sensação é a de que estamos diante de um jogo que poderia facilmente ter sido lançado na sétima geração de consoles e que ficou guardado em uma gaveta até agora.
Isso não significa necessariamente que o jogo seja feio — longe disso —, mas o conjunto visual passa uma impressão bastante datada. Em diversos momentos é possível perceber referências e ideias claramente inspiradas em sucessos daquela geração, como se o jogo reunisse elementos familiares de vários títulos que marcaram época.
Infelizmente, o som e a trilha sonora não desempenham aqui um papel de destaque, como seria esperado em uma aventura com forte apelo narrativo. O áudio cumpre sua função, mas há efeitos sonoros que não expressam tão bem, principalmente nas batalhas quando você sente uma leve desincronia. O efeito sonora deveria te guiar sobre o exato momento que o inimigo realiza um movimento de ataque, mas nem sempre ele está lá, pontualmente.
Os comandos para movimentação da personagem são variados e, em geral, funcionam bem. Entretanto, muitos deles parecem um pouco lentos quando aplicados ao combate. Ainda assim, o mapeamento de controles é bem estruturado e o tutorial apresenta de forma clara as mecânicas básicas. É relativamente fácil assimilar a movimentação da personagem e o comportamento de seu fiel companheiro, o lagarto Jiji.
E o veredicto é…
Sabooooorrrr Prince of Persia
O jogo começa com uma introdução bastante modesta na forma como apresenta sua história, que mistura fantasia e ficção científica. Apesar disso, o tutorial é bem estruturado e consegue despertar uma certa curiosidade para continuar avançando na aventura.
A experiência segue uma fórmula bastante conhecida: você começa explorando ambientes que lembram bastante jogos como Tomb Raider, Prince of Persia e Uncharted, e gradualmente passa a resolver puzzles ambientais enquanto avança pelos cenários.
Jiji, o lagarto que acompanha Nadira, oferece ao jogador a chamada “Visão de Lagarto”, uma habilidade que lembra bastante a “Visão de Águia” presente em Assassin’s Creed. Esse recurso ajuda a destacar elementos do cenário e acaba enriquecendo um pouco a exploração.
O problema aparece principalmente na forma como a história é contada. A maneira como o jogo tenta dramatizar seus acontecimentos e colocar o jogador a par do que está acontecendo muitas vezes parece confusa, desconexa e pouco clara.
Não existem longos diálogos ao longo da campanha. Em vez disso, a protagonista compartilha comentários e pensamentos diretamente com o jogador, enquanto diários e pergaminhos encontrados pelo caminho ajudam a construir o storytelling. Na prática, porém, os cortes abruptos entre as cenas que acontecem no deserto e aquelas que mostram os eventos na base militar acabam criando uma sensação de confusão que nem sempre funciona a favor da narrativa.
No fim das contas, Mirage 7 é uma boa ideia que não foi executada com o mesmo cuidado. Durante a jogatina, inclusive, notei diferenças no comportamento do gameplay entre versões.
É inegável que o combate sofre com problemas de posicionamento, colisão e hitbox. Mesmo assim, o jogador segue avançando pela curiosidade de entender o que vem a seguir. Em determinados momentos, Taishma aparece repentinamente para alertar sobre perigos ou indicar os próximos passos da jornada, como se estivesse em conexão mental com Nadira, ou com Jiji, mas isso é tão pobremente trabalhado que acaba gerando estranheza.
No final, fica difícil dizer que Mirage 7 valha a pena apenas pela curiosidade. O jogo tem conceitos interessantes, mas a execução deixa claro que faltaram mais tempo, cuidado e polimento para que essa ideia realmente se destacasse.
Mirage 7 já está disponível para PlayStation 4 & 5, Xbox One & Series X|S e PC (via Steam).
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